Waterloo: o dia em que Napoleão perdeu tudo

Em 18 de junho de 1815, perto da vila de Waterloo, na atual Bélgica, Napoleão Bonaparte lutou sua última batalha. Em pouco mais de oito horas, o imperador que havia dominado a Europa viu seu exército se desfazer, e com ele qualquer chance de voltar ao poder.

Três meses antes, Napoleão tinha fugido do exílio na ilha de Elba e retomado o trono da França sem disparar um tiro. As potências europeias responderam declarando guerra a ele, e não à França. Começavam os chamados Cem Dias.
O plano de Napoleão era simples e ousado: atacar antes que os inimigos se juntassem. Na Bélgica havia dois exércitos, o anglo-aliado do duque de Wellington e o prussiano do marechal Blücher. Separados, poderiam ser derrotados um de cada vez.
Uma manhã perdida para a chuva
Choveu forte na noite de 17 de junho. O terreno virou lama, e Napoleão adiou o ataque para o fim da manhã, à espera de que o chão secasse para mover a artilharia. O atraso parecia pequeno. Não era: cada hora dava aos prussianos mais tempo para chegar.
O primeiro ataque mirou a fazenda de Hougoumont, no flanco direito de Wellington. Era para ser uma distração, mas consumiu milhares de soldados franceses ao longo do dia, e a fazenda nunca caiu.

A tarde das cargas de cavalaria
No meio da tarde, o marechal Ney viu movimento nas linhas britânicas e achou que era uma retirada. Lançou a cavalaria francesa em cargas sucessivas contra a infantaria inimiga, que se fechou em quadrados. Sem apoio da infantaria e da artilharia, os cavaleiros rodeavam os quadrados sem conseguir rompê-los.
Enquanto isso, os prussianos começavam a surgir no flanco direito francês, perto da vila de Plancenoit. Napoleão precisou desviar tropas, inclusive parte da Guarda Imperial, para contê-los. O marechal Grouchy, com cerca de 33 mil homens, seguia os prussianos mais a leste e não marchou ao som dos canhões.

“Foi a coisa mais apertada que você já viu na vida.”
| Horário | O que aconteceu |
|---|---|
| 11h30 | Ataque francês à fazenda de Hougoumont |
| 13h30 | Ofensiva do corpo de d’Erlon contra o centro aliado |
| 16h00 | Começam as cargas da cavalaria de Ney |
| 16h30 | Prussianos atacam em Plancenoit |
| 18h00 | Franceses tomam a fazenda de La Haye Sainte |
| 19h30 | Ataque final da Guarda Imperial é repelido |
| 20h00 | Avanço geral aliado; o exército francês se desfaz |
Horários aproximados. Os relatos da época variam.
“La Garde recule!”
Por volta das 19h30, Napoleão jogou sua última carta: a Guarda Imperial, tropa de elite que quase nunca havia recuado. Ela subiu a encosta contra o centro de Wellington e foi recebida por fogo de infantaria à queima-roupa. Quando a Guarda recuou, o grito se espalhou pelas linhas francesas, e o exército desmoronou.
O fim dos Cem Dias
Napoleão voltou a Paris e abdicou em 22 de junho de 1815. Desta vez os britânicos não arriscaram: mandaram-no para Santa Helena, uma ilha remota no Atlântico Sul, onde ele morreu em 5 de maio de 1821.
Waterloo virou sinônimo de derrota definitiva. Até hoje, quando alguém “encontra o seu Waterloo”, quer dizer que chegou ao fim da linha.
Forças em campo
Valores aproximados; as estimativas variam entre historiadores. Os prussianos entraram na batalha ao longo da tarde.
Fontes
- Bernard Cornwell, Waterloo: The History of Four Days, Three Armies and Three Battles (2014)
- Andrew Roberts, Napoleon the Great (2014)
- Alessandro Barbero, The Battle: A New History of Waterloo (2005)
- Thomas Creevey, The Creevey Papers (1903)

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