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Canas: a manobra perfeita de Aníbal

Estratégias2 de agosto de 216 a.C.2 min de leitura

Pintura de Turner: tempestade de neve sobre o exército de Aníbal nos Alpes

Em 216 a.C., no sul da Itália, Aníbal cercou e destruiu um exército romano muito maior que o seu. A manobra em pinça de Canas ainda é estudada em academias militares.

Pintura de Turner: tempestade de neve sobre o exército de Aníbal nos Alpes
J. M. W. Turner, Tempestade de neve: Aníbal e seu exército cruzando os Alpes, 1812

Em 218 a.C., o general cartaginês Aníbal Barca fez algo que parecia impossível: atravessou os Alpes com seu exército, incluindo elefantes de guerra, e invadiu a Itália pelo norte. Era a Segunda Guerra Púnica.

Depois de duas vitórias, Aníbal enfrentou em Canas, no sul da Itália, o maior exército que Roma já tinha colocado em campo. Os romanos tinham muito mais soldados e confiavam no peso da sua infantaria.

O centro que recua

Aníbal arrumou suas tropas de um jeito pouco comum. No centro, colocou a infantaria mais fraca, numa linha curvada para a frente. Nas pontas, a infantaria africana, mais experiente. Nos flancos, a cavalaria.

Quando os romanos avançaram, o centro cartaginês recuou devagar, sem se romper. Os romanos foram entrando cada vez mais fundo. Então a infantaria africana se virou para dentro pelos dois lados, e a cavalaria, depois de vencer a cavalaria romana, fechou a retaguarda. O exército romano ficou completamente cercado.

A lição

Dezenas de milhares de romanos morreram naquele dia, entre eles o cônsul Lúcio Emílio Paulo. Ainda assim, Roma não se rendeu e acabou vencendo a guerra anos depois.

O “duplo envolvimento” de Canas virou um modelo. Generais de diferentes épocas tentaram repeti-lo, e a batalha segue no currículo de academias militares do mundo inteiro.

Exércitos em Canas

Roma · Varrão e Emílio Paulo≈ 80 mil
Cartago · Aníbal≈ 50 mil

Estimativas aproximadas, baseadas em Políbio e Tito Lívio. Os números exatos são debatidos.

Fontes

  • Políbio, Histórias, livro III (séc. II a.C.)
  • Tito Lívio, História de Roma, livro XXII (séc. I a.C.)
  • Adrian Goldsworthy, Cannae (2001)

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