Canas: a manobra perfeita de Aníbal

Em 216 a.C., no sul da Itália, Aníbal cercou e destruiu um exército romano muito maior que o seu. A manobra em pinça de Canas ainda é estudada em academias militares.

Em 218 a.C., o general cartaginês Aníbal Barca fez algo que parecia impossível: atravessou os Alpes com seu exército, incluindo elefantes de guerra, e invadiu a Itália pelo norte. Era a Segunda Guerra Púnica.
Depois de duas vitórias, Aníbal enfrentou em Canas, no sul da Itália, o maior exército que Roma já tinha colocado em campo. Os romanos tinham muito mais soldados e confiavam no peso da sua infantaria.
O centro que recua
Aníbal arrumou suas tropas de um jeito pouco comum. No centro, colocou a infantaria mais fraca, numa linha curvada para a frente. Nas pontas, a infantaria africana, mais experiente. Nos flancos, a cavalaria.
Quando os romanos avançaram, o centro cartaginês recuou devagar, sem se romper. Os romanos foram entrando cada vez mais fundo. Então a infantaria africana se virou para dentro pelos dois lados, e a cavalaria, depois de vencer a cavalaria romana, fechou a retaguarda. O exército romano ficou completamente cercado.
A lição
Dezenas de milhares de romanos morreram naquele dia, entre eles o cônsul Lúcio Emílio Paulo. Ainda assim, Roma não se rendeu e acabou vencendo a guerra anos depois.
O “duplo envolvimento” de Canas virou um modelo. Generais de diferentes épocas tentaram repeti-lo, e a batalha segue no currículo de academias militares do mundo inteiro.
Exércitos em Canas
Estimativas aproximadas, baseadas em Políbio e Tito Lívio. Os números exatos são debatidos.
Fontes
- Políbio, Histórias, livro III (séc. II a.C.)
- Tito Lívio, História de Roma, livro XXII (séc. I a.C.)
- Adrian Goldsworthy, Cannae (2001)



