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Santos Dumont e o voo do 14-Bis em Paris

Personagens12 de novembro de 19062 min de leitura

Fotografia do 14-Bis no ar sobre o campo de Bagatelle, com pessoas observando

Em 1906, diante de uma multidão e de uma comissão oficial, um brasileiro decolou num aparelho mais pesado que o ar usando apenas a força do próprio motor. Paris foi ao delírio.

Fotografia do 14-Bis no ar sobre o campo de Bagatelle, com pessoas observando
O 14-Bis no campo de Bagatelle, Paris, 1906. Acervo do Museu Paulista da USP.

Alberto Santos Dumont nasceu em 1873, numa fazenda em Minas Gerais, filho de um rico produtor de café. Aos 18 anos foi morar em Paris, onde gastou boa parte da herança construindo balões e dirigíveis.

Em 1901 ficou famoso ao contornar a Torre Eiffel com um dirigível e voltar ao ponto de partida em menos de 30 minutos. Ganhou o prêmio Deutsch, de 100 mil francos, e doou boa parte do dinheiro aos seus mecânicos e aos pobres de Paris.

Mais pesado que o ar

O desafio seguinte era voar num aparelho mais pesado que o ar. Em 23 de outubro de 1906, no campo de Bagatelle, o 14-Bis percorreu cerca de 60 metros no ar e garantiu a Santos Dumont o prêmio Archdeacon.

Em 12 de novembro, ele foi além: 220 metros em pouco mais de 21 segundos, diante da comissão do Aeroclube da França. Foi o primeiro recorde de voo homologado da história da aviação.

E os irmãos Wright?

Os americanos Wilbur e Orville Wright haviam voado em 1903, na Carolina do Norte, mas longe do público e com a ajuda de um trilho de lançamento. Por isso, a discussão sobre quem “inventou o avião” continua até hoje. No Brasil, a resposta costuma ser uma só.

Santos Dumont também ajudou a popularizar o relógio de pulso: em 1904, pediu ao amigo Louis Cartier um relógio que pudesse consultar sem tirar as mãos dos controles.

Fontes

  • Paul Hoffman, Asas da loucura: a extraordinária vida de Santos-Dumont (2003)
  • Henrique Lins de Barros, Santos-Dumont e a invenção do voo (2003)

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